Curitiba cansou dos compactos? O que a falta de imóveis espaçosos revela sobre o mercado
Curitiba vive um efeito colateral da era dos compactos. Depois de uma década em que unidades menores ganharam espaço, surge uma lacuna cada vez mais visível: faltam imóveis novos com metragem mais generosa para casais e famílias pequenas que buscam conforto, flexibilidade e qualidade de vida. O dado mais simbólico desse ciclo é o crescimento de 210% nas vendas de compactos e supercompactos entre 2015 e 2024, segundo a Brain Inteligência Estratégica. Ao mesmo tempo, apartamentos de dois quartos seguem entre os perfis mais desejados, o que reforça um ponto importante: o mercado não discute apenas número de dormitórios, mas também espaço bem resolvido. Curitiba passou boa parte da última década consolidando uma lógica bastante clara no mercado imobiliário: reduzir metragens, multiplicar unidades e concentrar lançamentos em regiões urbanas com forte apelo de mobilidade e conveniência. Na prática, foi uma resposta eficiente para um período em que localização, liquidez e investimento falavam alto. Sob esse ponto de vista, os compactos foram um sucesso. Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, as vendas de compactos e supercompactos cresceram 210% na capital paranaense entre 2015 e 2024. Assim, o número ajuda a explicar por que esse modelo ganhou tanto espaço na cidade. Ainda assim, há um efeito colateral importante nesse movimento. Quando o mercado insiste demais em uma tipologia, inevitavelmente deixa outras de lado. É exatamente isso que começa a aparecer em Curiti
ba. Hoje, encontrar imóveis novos com plantas mais amplas e bem distribuídas já não é tão simples, sobretudo para um público que quer permanecer em bairros urbanos sem abrir mão de conforto. Como chegou à era dos compactos em Curitiba É fácil criticar a compactação olhando em retrospecto, mas ela não surgiu por acaso. Apartamentos menores respondiam a diferentes pressões ao mesmo tempo. Para o investidor, significavam ticket mais acessível e boa liquidez. Para parte da demanda urbana, entregavam praticidade e proximidade de serviços. Já para o mercado, ajudavam a equilibrar custo de terreno, viabilidade e velocidade de vendas. Durante um bom tempo, essa equação funcionou. O compacto parecia responder a quase tudo: era mais vendável, mais replicável e mais alinhado ao discurso de cidade dinâmica, moderna e eficiente. No entanto, uma fórmula bem-sucedida costuma gerar excesso de confiança. E, no setor imobiliário, excesso de confiança frequentemente produz padronização. Quando isso acontece, o mercado começa a entregar mais do que sabe vender e menos do que parte do público realmente precisa. Por que a falta de apartamentos amplos virou problema A casa mudou de função. Esse talvez seja o ponto central da discussão. Hoje, o imóvel precisa acomodar bem mais do que a rotina tradicional de entrar, dormir e sair cedo. Além disso, ele passou a absorver trabalho remoto ou híbrido, momentos de descanso, privacidade, convivência e, em muitos casos, diferentes fases da vida dentro da mes