Ainda vale comprar imóvel em 2026? O que mudou até abril
A janela para compra de imóveis em 2026 melhorou, mas não virou liquidação. A Selic caiu para 14,75% em março, o Minha Casa Minha Vida ampliou faixas de renda e tetos de imóvel em abril, e o crédito do SBPE teve em março seu melhor desempenho mensal em cinco anos. Ao mesmo tempo, a poupança segue com captação líquida negativa e os preços dos imóveis continuam subindo em boa parte do país. Para corretores e imobiliárias, isso muda o tom da conversa: 2026 exige menos discurso genérico e mais orientação com dados, diagnóstico de crédito e boa gestão comercial. Em janeiro, a leitura dominante do setor era baseada em expectativa. Falava-se em juros em transição, crédito mais acessível e retomada gradual da demanda. Em abril, esse texto precisa ser reescrito. Não porque a tese tenha morrido, mas porque ela ficou mais concreta — e mais complexa. Hoje, o mercado já viu um corte efetivo da Selic, novas regras em operação no Minha Casa Minha Vida e uma reação importante do financiamento imobiliário . Isso melhora o humor do comprador, mas não autoriza simplificação. O que mudou de janeiro para abril no mercado imobiliário? A primeira virada veio da política monetária. Em março, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano, e o mercado chegou ao fim de abril acompanhando nova reunião do comitê marcada para os dias 28 e 29. Para o setor imobiliário, isso importa menos como número isolado e mais como sinal de direção: o cenário deixou de ser só defensivo. O comprador volta a considerar
financiamento, e o corretor passa a ter um argumento mais sólido do que tinha no começo do ano. A segunda mudança veio do Minha Casa Minha Vida. Desde 22 de abril, o programa passou a operar com novas faixas de renda: faixa 1 até R$ 3.200, faixa 2 até R$ 5 mil, faixa 3 até R$ 9.600 e faixa 4 até R$ 13 mil. Também subiram os valores máximos dos imóveis nas faixas 3 e 4, de R$ 350 mil para R$ 400 mil e de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Na prática, o programa voltou a alcançar famílias que estavam espremidas entre renda, entrada e parcela. Há ainda um terceiro vetor importante: as regras de funding e enquadramento. Em outubro de 2025, o CMN e o Banco Central aprovaram um novo modelo para o crédito imobiliário, com maior flexibilidade no uso de recursos da poupança e atualização do teto do imóvel financiado no âmbito do SFH de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Esse movimento continua relevante em 2026, sobretudo para o médio e o médio-alto padrão. Os dados confirmam retomada? Sim — mas com ressalvas Os números de março mostram um mercado mais vivo. Segundo a Abecip, os financiamentos imobiliários com recursos do SBPE somaram R$ 18,5 bilhões no mês, alta de 56,9% sobre fevereiro e de 53,9% sobre março de 2025. O número de imóveis financiados chegou a 54,6 mil, também com forte crescimento anual. No primeiro trimestre, o volume financiado somou R$ 42,4 bilhões, 11,9% acima do mesmo período do ano passado. Mas a leitura séria não para aí. O mesmo boletim mostra que a captação líquid